Biodynamic Architecture

Nos últimos dias estive elaborando pesquisas de Arquitetura Experimental e seus possíveis efeitos no ambiente em que se insere. Dentre tantos assuntos, um que já não é tão experimental assim me chamou a atenção e compartilho aqui com vocês: Byodinamic Architecture, um estudo elaborado por alunos e professores da AA School of Architecture.
De forma resumida, biodinâmica é o estudo da força e energia de processos dinâmicos, do movimento, em organismos vivos. Através de mecanismos simples incorporado dentro da lógica material dos sistemas naturais, estímulos específicos podem ativar uma resposta específica. Esta resposta ocorre em plantas carnívoras, como a armadilha da mosca de Venus, que utiliza a pressão de turgescência para capturar insetos pequenos para se alimentar, e até mesmo em vermes, que contraindo os músculos de formas diferentes orienta-se para atingir o movimento ou… o movimento dos girassóis em busca da luz e calor.
Não se deve confundir Biodynamic Architecture com Bioarquitetura (se você jogar no google ele confundirá os dois).
Bioarquitetura é um conceito surgido em 1960 e consiste em uma arquitetura concebida inteiramente de modo a causar baixo impacto ambiental e custos reduzidos, enquanto que a Byodinamic (biodinâmica) vai além e explora os sistemas biológicos ativos na natureza, extraindo lógicas de organização, geometria, estrutura e matemática, e, investigando os princípios biomiméticos para analisar e projetar uma arquitetura que responda a estímulos eletronicos e ambientais.
O workshop promovido anualmente pela AA School of Architecture consiste exatamente na produção de protótipos arquitetônicos com tais propriedades:
No video acima, o aluno cria um protótipo capaz de responder aos estímulos luminosos, no entanto, observe a geometria do protótipo e o movimento sincronizado que é criado com a luz…….. o protótipo imita a geometria celular de um tecido vivo, e, sendo assim, todas as células trabalham igualmente e ao mesmo tempo.
Já falamos aqui no site à respeito da Arquitetura Dinâmica, com prédios que se movimentam e aliam tecnologia para obter desenvolvimento sustentável e , também falamos da Arquitetura Fractal, com projetos dotados de progressão fractal de modo a aumentar a eficência estrutural dos mesmos. Imaginem então um projeto que une a dinamicidade aos principios geométricos dos fractais…
É exatamente dessa fusão de ciências que estamos falando quando exploramos a Arquitetura Biodinâmica, a “geometria da vida” em projetos que imitam a “mecânica da vida”, ainda hoje não existem projetos inteiramente executados sob essa ordem organizacional, no entanto, a fachada do Instituto do mundo árabe de Jean Nouvel segue alguns desses princípios.
A fachada do Instituto adota um padrão geométrico geralmente presente nas tapeçarias árabes (ainda não é padrão de tecidos vivos maaas…) e gera uma nova composição a partir da rotação e sobreposição dos mesmos, o diferencial fica por parte dos diafragmas que funcionam exatamente como diafragmas que, computadorizados e controlados digitalmente, abrem e fecham controlando a luminosidade nos espaços internos e também a ventilação.
Já com uma conceituação completamente bidinâmica, o grupo Omiros one Architechture projetou o J1 Residential Tower, com uma ‘pele’ feita de painéis móveis que, assim como caules de vegetações, reage e se ativa pelo vento de modo a controlar a luminosidade interna e criar energia suficiente para suprir as necessidades do edifício, no entanto, o mesmo ainda não possui previsão de construção.
Segundo os projetistas, o edifício caracteriza-se por uma volumetria extremamente agressiva, no entanto, deixa de lado qualquer principio formalista e plástico para focar exclusivamente na geometria e seu propósito gerador de energia e sustentável. Basta olhar para o projeto e notar que o mesmo se assemelha em muito como os princípios dinâmicos de organismos vegetais em seu processo auto sustentável.
Outro edifício dentro de tais princípios é o Kinetower da Kinetura. Nesse projeto, além da estrutura similar à de células vegetais em caules de flores, as linhas de vedação possuem células digitais que, assim como as flores fotossensíveis (como girassóis) que buscam a luz solar e se abrem durante as manhãs, essa vedação se abre ou fecha de modo a controlar a luminosidade.
Pois bem, o que me chama a atenção nesse tipo de arquitetura não é a tecnologia aplicada, a plasticidade, mas sim uma possibilidade de aplicação em larga escala, pois, como já citado no post sobre Arquitetura fractal, a estrutura de edifícios que adotam padrões geométricos progressivos tende a ser mais estável, e, sendo assim, os gastos com materiais diminuem significativamente. Como parte dessa tecnologia é obrigatoriamente pré-fabricada, os excedentes de materiais também diminuem contribuindo para a sustentabilidade do edifício desde sua construção.
Outro ponto a ser notado é que, se os edifícios atuam como os organismos vivos, o natural é que ele gaste com energia somente o necessário se adaptando ao ambiente em que se insere e eventualmente produzindo sua própria energia, sendo assim, problemas climáticos em edifícios comerciais, residenciais e comerciais seriam quase zerados e, considerando-se que atualmente, segundo o manual PROCEL de eficiência energética, 42% de toda a energia elétrica consumida no Brasil é designada para tais edifícios, em um contexto de crise energética… bem… podemos sonhar com uma reversão desse quadro.
Por fim, para deixar tudo bem esclarecido…vamos às definições gerais:
Arquitetura Fractal: Arquitetura dentro dos princípios geométricos fractais, com repetição de padrões geométricos em diferentes escalas, ou não, para definir volumetria, fachadas ou setorização e definição de espaços internos.
Arquitetura dinâmica: Arquitetura com tecnologia aplicada de modo a gerar movimento do edifício para geração de energia e/ou/apenas aproveitamento de luminosidade.
Biodinânima: Estudo dos organismos vivos.
ARQUITETURA BIODINÂMICA: ARQUITETURA CONCEBIDA COM BASE NA ANÁLISE DOS ORGANISMOS E SISTEMAS VIVOS, DESDE PADRÕES GEOMÉTRICOS DE TECIDOS ATÉ MOVIMENTOS METABÓLICOS.
Mais imagens dos projetos apresentados abaixo:
- Simulassão do Interior da J1 Residential Tower
- Instituto do Mundo Árabe – Jean Nouvel
- diafragma aplicado à fachada,padrão de repetição e sobreposição geométrica.
- Planta do J1 Residential Tower, prevê no uso um misto de residências, comércio e serviços.
- J1 Residential Tower, Elevação e Seção.
- Iluminação Interna do Instituto, providenciada pelos diafragmas
- Fachada do Instituto do mundo árabe, com pequenos diafragmas.
- Fachada do Instituto do Mundo Árabe – Jean Nouvel
- Kinetower – Kinetura Architecture
- Biodynamic Structures, Células baseadas no estudo de vegetais, que reagem à estímulos luminosos … imagine aplicado na arquitetura.
- Bioaquitetura, à direita em Santa Mônica – Milão, conjunto residencial dentro dos padrões da bioarquitetura.
- Corte do J1 Residential Tower, com eixos de giro e usos definidos. Qualquer semelhança com a estruturação de vegetais não é mera coincidência.
- J1 Residential Tower – O1A Architecture
- kinetura tower – perspectiva interna
- Dionéia, planta carnívora que se movimenta à partir de um estímulo tátil.
- Movimentação prevista com o vento J1 RT
- Instituto do Mundo Árabe – Jean Nouvel






















Muito boa publicação!
Fico feliz em ler suas matérias!
Saudações
Tiago
;D
Travassos… eu fico feliz em saber que vc está vivo, não esqueceu dos amigos hahaha *-* saudades de ti!
Obrigada!!